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Selic a 14,25% — "É O FIM DO CORRETOR DE IMÓVEIS?"

Desde a implementação do Plano Real em 1994, a economia brasileira tem experimentado diversos ciclos de altas e baixas na taxa Selic, que impactam diretamente o mercado imobiliário.

Esses movimentos fazem parte de um fenômeno macroeconômico comum em economias emergentes, onde a política monetária precisa equilibrar crescimento econômico e controle inflacionário.

A Evolução Histórica da Taxa Selic

A Evolução da Taxa SELIC: Uma Análise de 1994 a 2024 – Inteligência  Ocidental

A taxa básica de juros brasileira possui um histórico marcado por patamares elevados. No início da década de 1990, chegou a atingir 42% ao ano.

Com a implementação do Plano Real, houve uma tentativa de estabilização, mas a Selic ainda se manteve em níveis superiores a 10% ao ano em meados dos anos 2000.

Analisando a tabela histórica da Selic, podemos observar:

Após um período de oscilações, a Selic recuou até o patamar histórico de 2% ao ano em agosto de 2020, durante a pandemia de Covid-19.

Contudo, em março de 2021, iniciou-se o maior ciclo de elevação da taxa básica de juros brasileira em mais de duas décadas, atingindo 13,75% em agosto de 2022.

Atualmente, em março de 2025, a taxa Selic encontra-se em 14,25% ao ano, após a quinta alta consecutiva, atingindo o maior patamar desde 2016.

Esse aumento recente está relacionado principalmente ao controle da inflação, que se encontra em 4,96% nos últimos 12 meses, acima da meta de 3,00% ao ano (com intervalo de tolerância até 4,50%).

Os Quatro Ciclos do Mercado Imobiliário

Por que os fundos imobiliários devem decolar - Seu Dinheiro

O mercado imobiliário possui seu próprio ciclo econômico, que pode ser dividido em quatro fases distintas:

Fase 1: Recuperação

Caracterizada por uma leve retomada da demanda em um cenário de muita oferta.

Nesta fase, há uma queda no número de imóveis vagos e os valores de aluguéis começam a subir.

A oferta e a demanda começam a se equilibrar, preparando o terreno para a fase seguinte.

Fase 2: Expansão

Neste ciclo, a demanda continua crescendo acima da oferta, incentivando novas construções enquanto as taxas de vacância caem.

O desequilíbrio entre oferta e demanda gera um aumento nos preços das unidades novas e dos aluguéis.

Este período é marcado pelo crescimento do mercado imobiliário, com maior valorização e investimentos.

Fase 3: Excesso de Ofertas

Caracterizada pelo desequilíbrio entre oferta e demanda, com a primeira superando a segunda.

Há uma estabilização de preços e aumento de imóveis desocupados, resultando em diminuição na atividade da construção civil.

Fase 4: Recessão

Nesta fase, a oferta é significativamente maior que a demanda, gerando alta vacância e prejuízos para construtoras e incorporadoras.

Ocorre uma perda de capital e diminuição dos investimentos no setor construtivo, levando a uma queda nos preços como tentativa de equilibrar o mercado.

A Relação Entre a Taxa Selic e o Mercado Imobiliário

A taxa Selic influencia diretamente o mercado imobiliário de diversas formas:

Impacto nos Financiamentos Imobiliários

Como financiar seu imóvel - Blog do Consignado

Os juros cobrados pelos bancos em financiamentos imobiliários são diretamente influenciados pela Selic.

Quando a taxa básica sobe, os custos para os bancos aumentam e são repassados aos consumidores na forma de juros mais altos, tornando a compra de imóveis mais cara e reduzindo a demanda.

Por outro lado, quando a Selic cai, o custo do crédito diminui, tornando os financiamentos mais acessíveis e aquecendo o mercado imobiliário.

Em 2023, por exemplo, a Selic caiu de 12,25% para 11,75% ao ano, tornando o financiamento mais acessível e vantajoso.

Impacto nos Investimentos Imobiliários

Investimento imobiliário: saiba mais e comece a investir

Em cenários de Selic baixa, o mercado imobiliário torna-se mais atrativo para investidores em comparação a investimentos de renda fixa, podendo levar à valorização dos imóveis.

Já com a Selic alta, aumenta a rentabilidade dos investimentos de menor risco (renda fixa), tornando os investimentos na economia real com maior risco menos atrativos.

Impacto na Construção Civil

Tendências Para Construção Civil em 2025 | AECweb

A redução da Selic pode estimular a construção civil, pois as incorporadoras e construtoras conseguem expandir suas operações com custos de financiamentos reduzidos, gerando mais empregos e aumentando a oferta de imóveis no mercado.

Em contrapartida, com a Selic alta, o modelo de negócios das incorporadoras, que é marcado por capital intensivo e ciclo longo, é diretamente afetado, impactando a margem dos empreendimentos e a geração de caixa.

Correlação Entre os Ciclos da Selic e do Mercado Imobiliário

Analisando historicamente, podemos observar uma correlação entre os ciclos da taxa Selic e as fases do mercado imobiliário:

  1. Selic em queda → Fase de Recuperação e Expansão: Quando a Selic está em trajetória de queda, o mercado imobiliário tende a entrar nas fases de recuperação e expansão, com aumento da demanda, valorização dos imóveis e aquecimento do setor.

  2. Selic em alta → Fase de Excesso de Ofertas e Recessão: Quando a Selic está em trajetória de alta, o mercado imobiliário tende a entrar nas fases de excesso de ofertas e recessão, com diminuição da demanda, desvalorização dos imóveis e desaquecimento do setor.

Conclusão

Até onde vai a taxa Selic? Inflação deve levar juros a 15% ao ano em 2025 |  Economia | G1

Os ciclos de altas e baixas da taxa Selic e do mercado imobiliário brasileiro são fenômenos macroeconômicos intrinsecamente ligados.

A compreensão dessa relação é fundamental para investidores, compradores e profissionais do setor imobiliário tomarem decisões mais informadas.

Atualmente, com a Selic em 14,25% e projeções de que possa atingir até 15% em 2025, o mercado imobiliário enfrenta desafios significativos, com financiamentos mais caros e redução no poder de compra dos consumidores.

No entanto, é importante lembrar que esses ciclos são naturais em economias emergentes como a brasileira, e que após períodos de alta, tendem a vir períodos de queda, trazendo novas oportunidades para o setor.

Compreender esses ciclos permite aos participantes do mercado se adaptarem às mudanças, aproveitando as oportunidades que surgem em cada fase e mitigando os riscos inerentes a cada período.

Resumindo: sua profissão está passando por uma fase ruim, que sempre aconteceu — e sempre vai acontecer. Você precisa saber lidar com isso e usar a adversidade ao seu favor, de forma estratégica.


Esta indústria é simples, mas não é fácil.


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